quinta-feira, 20 de maio de 2010

Forno açoriano de energia solar é primeiro prémio nacional



Os jovens da escola das Capelas, Gonçalo Rego, Francisco Lucas, Verónica Gonzaga e Tânia Raposo, com 11 e 12 anos de idade, certamente nunca mais esquecerão esta experiência considerada como marcante, quer do ponto de vista do concurso e do prémio alcançado, quer da própria organização.
Mais de mil crianças concorreram ao Rali Solar, no âmbito do projecto Ciência Viva. Cerca de 800 chegaram à final que se realizou nos dias 14 e 15 de Maio no Museu da Electricidade, em Lisboa. Mas foi o grupo intitulado Os Pirolíticos, formado por quatro jovens estudantes e um professor da Escola Básica e Integrada das Capelas que alcançou o primeiro lugar na categoria de Solar Térmico. Uma experiência descrita pelos próprios como única, muito embora esta seja já a terceira vez que o docente de Ciências da Natureza e coordenador do projecto e equipa, Vítor Simão, se vê envolvido num concurso como este. Ao todo foram 215 as escolas que, inicialmente, se inscreveram na prova nas suas quatro categorias, sendo que destas apenas 186 do ensino Básico, Secundário e Profissional apresentaram os seus projectos a concurso. Os jovens da escola das Capelas, Gonçalo Rego, Francisco Lucas, Verónica Gonzaga e Tânia Raposo, com 11 e 12 anos de idade, certamente nunca mais esquecerão esta experiência considerada como marcante, quer do ponto de vista do concurso e do prémio alcançado, quer da própria organização e logística.
A última edição deste concurso aconteceu em Maio de 2008, com um concurso regional e promovido pela Ciência Viva e ARENA Agência Regional de Energia dos Açores, em que concorreram escolas de toda a região e que teve lugar na Escola Secundária das Laranjeiras, onde a EBI das Capelas alcançou o primeiro lugar. Em Maio do mesmo ano, num concurso transnacional que aconteceu nas Canárias, conseguimos também o primeiro lugar, na categoria de fornos solares, explicou.
Este ano, depois de ter tomado conhecimento do projecto desenvolvido pela Ciência Viva e depois de ter recebido, por parte dos alunos, total adesão, Vítor Simão decidiu abraçá-lo novamente. A equipa mostrou-se sempre empenhada desde a primeira hora, quer nos trabalhos de pesquisa que desenvolveu quer já na parte prática do projecto: um forno solar, com aproveitamento solar térmico. Em suma tratou-se de aproveitar a luz solar para a sua conversão em energia calorífica, tendo por base a utilização, também, de materiais reutilizáveis (desta feita, uma caixa e um monitor de computador, sendo que o último elemento servia para direccionar os raios solares directamente para dentro do forno).
Este ano, por não se ter realizado o campeonato regional, quer por falta de verbas quer devido à instabilidade provocada pela presença das cinzas do vulcão da Islândia no espaço aéreo regional, estes alunos acabaram por ser seleccionados para o nacional através da apresentação dos seus projectos via mail junto da organização da prova.
Ainda segundo referiu ao nosso jornal o coordenador da equipa das Capelas, foi muito difícil podermos apercebermo-nos se iríamos ou não conseguir alcançar um bom lugar com o nosso projecto, uma vez que eram muitos alunos e, por vezes, até foi difícil sabermos onde estavam a concorrer os restantes alunos que representavam escolas dos Açores. Mas certo é que os meus alunos ficaram extremamente contentes e, com certeza, se eu puder voltar a fazer parte de uma iniciativa do género, assim o farei. Vítor Simão salientou ainda o grande apoio recebido quer da parte dos pais dos alunos, quer da junta de freguesia das Capelas quer do próprio conselho executivo da EBI de que faz parte como docente.
Para além da Escola Básica e Integrada das Capelas, participaram nesta prova nacional, uma escola da Povoação e outra das Velas de São Jorge.
O concurso Rali Solar visa contribuir para o desenvolvimento da cultura científica e empreendedorismo dos jovens na área do aproveitamento da energia solar através da realização de actividades experimentais. A iniciativa surge na sequência do concurso solar Padre Himalaya, que promoveu o uso das energias renováveis em contexto escolar, com a participação de centenas de alunos e professores nas três edições do concurso.
O concurso propõe um conjunto de desafios para a apresentação de protótipos na área da energia solar que envolvam a conversão fotovoltaica, o aproveitamento térmico ou a produção de biocombustíveis.
Já de vez, sabia que pode fazer corridas de carros e de barcos, construir fornos e aldeias e mover comboios sem precisares de pilhas, combustível ou electricidade? Basta apenas que esteja um dia sol para que a estrela mais brilhante do Universo ponha os teus brinquedos a andar.
A energia solar é uma fonte que não faz poluição e muitos meninos como tu começaram já a fazer experiências para construir um mundo melhor.
Alguns dos participantes já são, segundo a organização, quase verdadeiros cientistas e chegaram à final do concurso Rali Solar onde mostraram as invenções que criaram.

Autor: Ana Coelho

Fonte texto e imagem: Correio dos Açores, 20 de Maio de 2010

Sem comentários: