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domingo, 10 de julho de 2016
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Meia centena de açorianos poderá vender energia à EDA já em 2011
Hoje em dia, vive-se uma alteração do paradigma energético, pois cada vez mais vamos caminhar para uma situação de muitos para muitos, sendo que actualmente o paradigma é de um para muitos. A nível internacional, já é consensual que a inversão será esta: muitos a produzir, em pequenas quantidades e de forma descentralizada (microgeração), para muitos. Para além disso implica que todos que adiram a esta produção beneficiem de um investimento que lhes dá um interessante retorno. Essa é a forma da microeconomia se desenvolver. João Albergaria da empresa Go4theGlobe assim defende a venda de energia fotovoltaica produzida na casa de cada açoriano à EDA Electricidade dos Açores. Actualmente são apenas 10 os açorianos que já entraram neste mercado, mas pelo menos outros trinta já se encontram pré-inscritos para também o fazer dentro em breve. Mais de 50 instalações em 2011 é um número que no entender de João Albergaria é perfeitamente realista, tendo em conta que na Madeira, por exemplo, (com população semelhante à nossa) foram feitas 330 instalações em dois anos.
Até Dezembro de 2010, a microgeração esteve em suspenso nos Açores. O que é que se passou na Região nesta matéria?
A possibilidade de venda de energia às companhias eléctricas nacionais iniciou-se em 2008, mas, infelizmente, nos Açores, nunca chegou a arrancar. Quando se preparava para acontecer, no início de 2010, registou-se um excesso de procura em todo o território do continente português, por ser um negócio muito interessante quer para privados quer para as pequenas e médias empresas. Daí que, depois de haver um entendimento da Direcção Geral de Energia e Geologia no sentido de suspender a possibilidade de venda de energia através de novas instalações, foi refeita toda a legislação e enquadramento legal do sector para que a microgeração pudesse arrancar.
Depois de interrompida em Fevereiro de 2010 e tendo como data de rearranque o mês de Junho, o mesmo só acabou por acontecer em Dezembro.
Daí que nos Açores, durante o ano, estivemos a recolher informações junto de potenciais interessados para que estes se pudessem registar em Dezembro e também já este mês, uma vez que em Janeiro o arranque já decorre de forma contínua. Assim, a partir de agora, qualquer pessoa interessada poderá fazer o seu registo, fazer a instalação do sistema e começar a vender energia à EDA, no caso dos Açores.
E a procura tem sido muita?
Os açorianos estão bastante despertos, apesar de reconhecer que, durante 2010 a nossa empresa ter tido um trabalho bastante difícil uma vez que trabalhámos sempre com base em potenciais cenários. Havia vários indicadores, números de tarifas bonificadas de venda à EDA ou à EDP, possíveis enquadramentos legais, mas nada que estivesse preto no branco.
No entanto, ainda conseguimos angariar cerca de 30 potenciais produtores de energia à electricidade dos Açores, que ficaram em lista de espera para, este mês, fazer os respectivos registos e avançar para as instalações.
Estes serão os primeiros então a vender energia à EDA?
Não. Antes do processo encerrar em Fevereiro de 2010, houve um curtíssimo espaço temporal em que algumas pessoas conseguiram. Ao todo, segundo sei, existem já dez instalações a vender energia à EDA, das quais seis foram montadas pela GO4theGlobe, das quais três são Instituições Particulares de Solidariedade Social (duas na Terceira e uma em Santa Maria).
E os vossos clientes estão satisfeitos com o investimento feito?
Sim. Estão satisfeitos. Montamos uma instalação eólica e cinco fotovoltáicas. Ao todo na Região existem duas eólicas e as restantes oito são produtoras a partir do sol. E os clientes confirmam-nos que estão a obter resultados bastante interessantes. No que diz respeito às IPSS, a conta da electricidade que antes era um custo, neste momento, face à receita extraordinária, deixou de ser um encargo para as mesmas. Para além do mais, outros clientes que nos pediram referências, nós já indicamos estas instituições como tal.
Mas nós, nos Açores, não somos, propriamente, uma Região de sol aberto dia após dia
Nós, ao contrário do que pensamos e percepcionamos, temos sol e com a eficiência que os equipamentos já têm (uma vez que também já trabalham com radiação difusa), dá-nos muito boas perspectivas. Já no que diz respeito ao vento e face à sua inconstância, é mais difícil de aferir os seus resultados. Depois de montarmos os equipamentos, e apesar de ficarmos sempre como apoio aos nossos clientes, estes assinam um contrato de 15 anos com a EDA, com quem passam a fazer negócios.
Quais os passos a serem dados a partir daqui?
A partir de agora, as pessoas interessadas contactam uma empresa que disponibilize estes serviços, fazem o seu pré-registo. Depois de ficarem em lista de espera nacional para passarem a ter um registo, e depois de o terem, podem adjudicar a uma empresa a adjudicação da instalação, sendo que depois cabe à EDA a instalação. Depois é só começar a vender, durante 15 anos, a energia.
E as tarifas são, ou não apelativas?
São sim. As tarifas de venda estão tabeladas por lei, ficando assim garantido o retorno do seu investimento. As tarifas são apelativas, especialmente, porque são bonificadas. Nós compramos energia à EDA a cerca de 12 cêntimos o kwatt, sendo que vamos vender neste regime, durante oito anos, a 38 cêntimos e nos sete seguintes por 22 cêntimos. Ou seja, nos primeiros oito anos, vendemos a cerca de quatro vezes mais do que compramos.
É um investimento com um retorno que andará à volta dos sete anos.
Os incentivos são isso mesmo, aqui na Região?
Nós temos esse benefício relativamente ao continente, pois temos o PROENERGIA que dá 25% num investimento até 4 mil euros.
A nível nacional já existem cerca de sete mil registos e por isso, os açorianos que vão entrando ficarão agora em lista de espera pois continua a ser uma diversificação de carteira de investimentos bastante interessante.
O Director Regional da Energia, José Cabral Vieira, considera que a energia solar é uma melhor aposta do que eólica. Partilha desta opinião?
Concordo totalmente. É muito mais fiável, mais fácil de prever pois sabemos quando será produzida logo, para a EDA, também, é mais interessante pois vai de acordo com o diagrama de carga da EDA.
Para além do mais, a nossa empresa faz sempre um estudo de viabilidade económica dos investimentos, com um software específico. Para além disso, a bonificação da tarifa é a cem por cento para a energia produzida por foto voltaico e apenas a oitenta por cento para a produzida em eólica, precisamente pela inconstância que referi anteriormente.
Mas a energia é idêntica.
A partir do momento que a energia é acumulada passa a estar disponível para a EDA
A energia nem sequer chega a ser acumulada, uma vez que é injectada directamente na rede. Na instalação apenas existem os painéis fotovoltaicos e um inversor que regulariza a corrente e que envia para o posto de transformação (PT) que alimenta a nossa casa. Desse PT há uma parte de energia que é também consumida por nós e outra pelos nossos vizinhos.
E este é que é o segredo, chamemos-lhe assim, do paradigma energético?
Sim. Hoje em dia vive-se uma alteração do paradigma energético, pois cada vez mais vamos caminhar para uma situação de muitos para muitos, sendo que actualmente o paradigma é de um para muitos. A nível internacional, já é consensual que a inversão será esta: muitos a produzir, em pequenas quantidades e de forma descentralizada (microgeração), para muitos. Isto traz acréscimos de eficiência enormes na distribuição, porque há muito menos gastos de energia proveniente do transporte e da distribuição. Para além disso implica que todos que adiram a esta produção ben
Autor: Ana Coelho
Fonte: Correio dos Açores, 3 de Janeiro de 2010
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
RALI SOLAR (2009/2010)
Dando continuidade aos projectos realizados e apoiados na temática das Energias Renováveis, a Ciência Viva lança o concurso Rali Solar, em parceria com o Museu da Electricidade - Fundação EDP e com o apoio científico da SPES - Sociedade Portuguesa de Energia Solar e do LNEG-Laboratório Nacional de Energia e Geologia.
O concurso Rali Solar visa contribuir para o desenvolvimento da cultura científica e empreendedorismo dos jovens na área do aproveitamento da energia solar através da realização de actividades experimentais. Desafiamos os alunos do ensino básico (2º e 3º ciclos), secundário e profissional a apresentar protótipos na área da energia solar que envolvam a conversão fotovoltaica, o aproveitamento térmico ou a produção de biocombustíveis. Sugere-se que as actividades do projecto sejam desenvolvidas nas disciplinas de Física-Química, Matemática, Ciências da Natureza / Biologia ou Área de Projecto.
O concurso organiza-se em três modalidades que englobam diferentes níveis de escolaridade.
MODALIDADES:
SUPERSOL
Actividade: Construção de veículos fotovoltaicos
S1 - Microcarro Solar (2º CEB)
S2 - Carrinho ou Barquinho Solar (3º CEB)
S3 - Supercarro Solar (Secundário e Profissional - nível III)
CRIASSOL
Actividade: Construção de protótipos solares
C2 - Aproveitamento solar térmico (2º CEB; 3º CEB; Secundário e Profissional - nível III)
GIRASSOL
Actividade: Produção de biocombustível como bioetanol, biodiesel, biogás ou biohidrogénio
(Secundário e Profissional - nível III)
PARTICIPAÇÂO
O projecto tem o formato de competição e tem âmbito nacional.
Cada escola poderá concorrer a várias modalidades. A participação está limitada a uma equipa por modalidade, por escola.
MATERIAL DE TRABALHO
Todas as equipas inscritas no Rali Solar receberão um kit experimental, de acordo com as modalidades e especificações que se apresentam no regulamento geral.
ETAPAS DO CONCURSO
Inscrições: Dezembro de 2009
Desenvolvimento do projecto: Dezembro de 2009 a Maio de 2010
Workshops para professores das equipas: Fevereiro de 2010
Provas eliminatórias regionais: Março e Abril de 2010
Competição final: 15 de Maio de 2010
RECURSOS
Como apoio ao desenvolvimento dos trabalhos serão disponibilizados materiais pedagógicos sobre os temas para utilização dos professores com os alunos.
Os materiais serão desenvolvidos por especialistas da SPES e LNEG.
No decurso do projecto vai ser criado um fórum de discussão online permitindo o esclarecimento de dúvidas com a equipa de apoio científico.
Inscrições e regulamentos disponíveis em http://www.cienciaviva.pt/ralisolar
Para esclarecimento de dúvidas, contacte-nos através do endereço: ralisolar@cienciaviva.pt
A Equipa Ciência Viva
quinta-feira, 9 de julho de 2009
Painéis Solares ou Frigoríficos ao Contrário?
Empresa perdeu a certificação
Energie foi afastada de campanha oficial do solar, mas vai receber prémio do Governo
Por Lurdes Ferreira
O Ministério da Economia atribui hoje à Energie o galardão de "PME Excelência 2009", depois de a ter retirado da lista das empresas com acesso à campanha dos painéis solares térmicos, por a sua tecnologia não ser considerada "solar", embora continue a ser publicitada como tal.
Ao que o PÚBLICO apurou, a Energie já não faz parte da lista das empresas que acedem aos incentivos do Governo para a campanha dos painéis solares térmicos, mas continua publicitar que tem "energia solar de última geração, faça sol ou faça chuva", e a querer ser incluída na lista das empresas com equipamentos renováveis para os novos edifícios, através da qual se abrem novas oportunidades de negócio. A Agência para a Energia (Adene), que gere a certificação energética dos edifícios e à qual a Energie recorreu, acaba de dar meio sim à ideia, admitindo que a lei possa ser alterada para a empresa ser abrangida.
A Energie entrou para o grupo dos fabricantes de painéis solares térmicos aceites na campanha do Governo após a certificação emitida em Março passado por uma entidade alemã e considerada de topo na Europa, a Dincertco, de produção de equipamentos solares.
O anúncio da sua entrada na campanha do solar térmico foi feito durante uma visita de José Sócrates e do ex-ministro da Economia, Manuel Pinho, à fábrica da Póvoa de Varzim, mas gerou controvérsia entre os especialistas, que acusam a empresa de publicidade enganosa. Consideram que a Energie fabrica bombas de calor, com recurso indirecto à energia solar e com forte nível de consumo de electricidade - o que não acontece com os painéis solares.
Pouco menos de um mês depois, a Dincertco, da Alemanha, retirou a classificação à empresa, tal como o PÚBLICO noticiou. A entidade certificadora portuguesa, Certif, e o Laboratório Nacional de Energia e Geologia concordaram com a decisão, por entenderem também que o equipamento da Energie não é solar.
O PÚBLICO tentou saber quantos contratos a empresa realizou neste período de campanha e que acções seriam desencadeadas junto dos consumidores que adquiriram estes equipamentos julgando tratar-se de painéis solares, mas o Ministério da Economia escusou-se a prestar essa informação, tal como a própria empresa.
A empresa continua a publicitar o produto como "energia solar de última geração" captada com sol, chuva, de dia ou de noite, um argumento que os opositores rebatem dizendo que a verdadeira energia solar não funciona de noite e tem menor rendimento ou nulo com chuva. Em resposta ao PÚBLICO, a Energie alega que "o que foi cancelado foi um certificado emitido por um organismo certificador que nada tem a ver com a terminologia energia solar termodinâmica" e que esta existe em Diário da República desde 2006. Diz que na Austrália e na Nova Zelândia estes "sistemas solares são reconhecidos" e que em Portugal não o são devido a "elementos instalados em institutos públicos portugueses, com manifestos interesses no sector", que não identifica.
A Secretaria de Estado do Comércio e Defesa do Consumidor, que tutela a Direcção-Geral do Consumidor, respondeu que "vai analisar o caso", garantindo que "não recebeu qualquer queixa sobre o assunto".
Quanto ao prémio que vai receber hoje, a Energie vê-o como "reconhecimento de uma gestão com o perfil de risco adequado à actual situação económica e financeira, assente numa estratégia planeada em tempo útil e implementada com sucesso".
Fonte: Jornal Público
Energie foi afastada de campanha oficial do solar, mas vai receber prémio do Governo
Por Lurdes Ferreira
O Ministério da Economia atribui hoje à Energie o galardão de "PME Excelência 2009", depois de a ter retirado da lista das empresas com acesso à campanha dos painéis solares térmicos, por a sua tecnologia não ser considerada "solar", embora continue a ser publicitada como tal.
Ao que o PÚBLICO apurou, a Energie já não faz parte da lista das empresas que acedem aos incentivos do Governo para a campanha dos painéis solares térmicos, mas continua publicitar que tem "energia solar de última geração, faça sol ou faça chuva", e a querer ser incluída na lista das empresas com equipamentos renováveis para os novos edifícios, através da qual se abrem novas oportunidades de negócio. A Agência para a Energia (Adene), que gere a certificação energética dos edifícios e à qual a Energie recorreu, acaba de dar meio sim à ideia, admitindo que a lei possa ser alterada para a empresa ser abrangida.
A Energie entrou para o grupo dos fabricantes de painéis solares térmicos aceites na campanha do Governo após a certificação emitida em Março passado por uma entidade alemã e considerada de topo na Europa, a Dincertco, de produção de equipamentos solares.
O anúncio da sua entrada na campanha do solar térmico foi feito durante uma visita de José Sócrates e do ex-ministro da Economia, Manuel Pinho, à fábrica da Póvoa de Varzim, mas gerou controvérsia entre os especialistas, que acusam a empresa de publicidade enganosa. Consideram que a Energie fabrica bombas de calor, com recurso indirecto à energia solar e com forte nível de consumo de electricidade - o que não acontece com os painéis solares.
Pouco menos de um mês depois, a Dincertco, da Alemanha, retirou a classificação à empresa, tal como o PÚBLICO noticiou. A entidade certificadora portuguesa, Certif, e o Laboratório Nacional de Energia e Geologia concordaram com a decisão, por entenderem também que o equipamento da Energie não é solar.
O PÚBLICO tentou saber quantos contratos a empresa realizou neste período de campanha e que acções seriam desencadeadas junto dos consumidores que adquiriram estes equipamentos julgando tratar-se de painéis solares, mas o Ministério da Economia escusou-se a prestar essa informação, tal como a própria empresa.
A empresa continua a publicitar o produto como "energia solar de última geração" captada com sol, chuva, de dia ou de noite, um argumento que os opositores rebatem dizendo que a verdadeira energia solar não funciona de noite e tem menor rendimento ou nulo com chuva. Em resposta ao PÚBLICO, a Energie alega que "o que foi cancelado foi um certificado emitido por um organismo certificador que nada tem a ver com a terminologia energia solar termodinâmica" e que esta existe em Diário da República desde 2006. Diz que na Austrália e na Nova Zelândia estes "sistemas solares são reconhecidos" e que em Portugal não o são devido a "elementos instalados em institutos públicos portugueses, com manifestos interesses no sector", que não identifica.
A Secretaria de Estado do Comércio e Defesa do Consumidor, que tutela a Direcção-Geral do Consumidor, respondeu que "vai analisar o caso", garantindo que "não recebeu qualquer queixa sobre o assunto".
Quanto ao prémio que vai receber hoje, a Energie vê-o como "reconhecimento de uma gestão com o perfil de risco adequado à actual situação económica e financeira, assente numa estratégia planeada em tempo útil e implementada com sucesso".
Fonte: Jornal Público
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